ATÉ DIA 20 DE NOVEMBRO HÁ NA TROFA EXEMPLARES DESTA ARTE POVEIRA LIGADA À TRADIÇÃO PISCATÓRIA
A camisola poveira bordada é feita em lã branca de fio grosso, da zona da Serra da Estrela, denominada “lã poveira” e decorada a ponto de cruz, com motivos de inspiração diversa.
Era inicialmente (1ª metade do século XIX) feita em Azurara e Vila do Conde e bordada (ou marcada) na Póvoa pelos velhos pescadores. Em evolução, passou a ser bordada pelas mães, esposas e noivas dos pescadores, e depois feita e bordada na Póvoa.
Este traje seria de romaria e festas, visto que nas fotografias obrigatórias para a inscrição marítima na Capitania (instalada em 1885), eram muito poucos os pescadores que se apresentavam de camisolas poveiras (camisolas de lã branca bordadas a ponto de cruz). Isto devia-se a que quando a fotografia era tirada, os pescadores estavam com roupa de trabalho, que usariam à semana.
A fotografia mais representativa da camisola poveira e da versão generalizada é a do pescador José da Silva Braga (o Tio Piroqueiro). A sua imagem tem servido de inspiração a fotógrafos, pintores, escultores e a modernos estilistas de moda.
Santos Graça, ao criar o Rancho Poveiro em 1936, escolheu este traje tradicional como símbolo da comunidade poveira. A camisola teve o seu auge de produção nos anos 50, 60 e 70 do século XX muito devido ao impacto do filme Ala-Arriba de Leitão de Barros, tendo entrado em declínio nas décadas seguintes. No período de maior produção, houve exportação para diversos países em todos os continentes, onde o filme foi também exibido.
Hoje em dia, tem-se buscado formas para a modernizar por um lado e por outro manter os saberes tradicionais. Recentemente, Nuno Gama, um reconhecido estilista, apresentou camisolas poveiras em desfiles em Milão, Barcelona e Nova Iorque; havendo outros estilistas interessados no rejuvenescimento deste artesanato.
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